Verne Harnish não vende consultoria. Vende a outros consultores o direito de usar o método dele.
Como um professor de CEOs transformou planejamento estratégico em ferramentas de uma página, e montou em volta delas uma rede de 290 coaches que pagam para entregar o método no lugar dele.
A tese
O livro cria a linguagem, a ferramenta padroniza a aplicação e quem paga para entregar o método é o próprio profissional que vai vendê-lo.
Por fora, a Scaling Up parece uma empresa de livros e palestras de um autor famoso. Verne Harnish escreveu Mastering the Rockefeller Habits e Scaling Up, que somam mais de 875 mil exemplares em 26 idiomas, e fala para plateias de CEOs há mais de três décadas. Essa é a parte visível.
A parte que sustenta o negócio é outra. Harnish separou quem cria o método de quem o entrega. Um coach certificado paga US$ 35 mil para entrar na rede e US$ 16.500 por ano para continuar. Em troca, recebe o método completo, as ferramentas e a marca, e vende seus próprios contratos a empresas de US$ 3 milhões a US$ 250 milhões de faturamento, pelo preço que quiser. O fundador não precisa estar na sala, e cada implementação ainda pode trazer uma assinatura de software.
Raio-X da empresa
O que é essa empresa, em números e em uma frase?
Uma dona de metodologia que licencia seu método a uma rede de coaches e o vende também como livro, curso e software.
O mercado, em linguagem simples. Uma empresa de US$ 10 milhões costuma travar no mesmo lugar: o fundador decide tudo, as prioridades mudam toda semana e o caixa some enquanto as vendas crescem. Grandes consultorias não atendem esse porte, e consultores independentes vendem horas, cada um com seu próprio método. A Scaling Up ocupa esse espaço com um sistema de gestão padronizado, de reuniões, indicadores e um plano estratégico de uma página, aplicado por coaches locais que falam a mesma língua.
| O que é | Scaling Up, empresa de educação executiva e coaching fundada por Verne Harnish em 1997 com o nome Gazelles. A rede de coaches opera como Scaling Up Network LLC |
| O que faz | Desenvolve e atualiza a metodologia Scaling Up (antes Rockefeller Habits), forma e certifica coaches, organiza workshops e eventos, e distribui ferramentas e software de execução |
| O que vende | Livros, ferramentas de uma página, workshops, CEO Bootcamp, Master's Program, certificação de coaches, avaliações e o software Scoreboard. Cursos online via Growth Institute |
| Faixa de preço | Grátis (mini-curso, ferramentas) → ~R$ 115 (livro, edição brasileira) → US$ 100 por mês (Scoreboard Insights) → US$ 2.995 (CEO Summit em Harvard, 2024) → contrato anual com coach (preço livre) → US$ 35 mil (certificação de coach) |
| Para quem | CEOs e equipes de liderança de empresas de US$ 3 mi a US$ 250 mi de faturamento, de qualquer setor. E consultores que querem um método e uma marca para vender |
| Onde atua | Global. Workshops em seis continentes, coaches sem território exclusivo, atendimento presencial ou virtual |
| Como ganha dinheiro | Certificação e anuidade dos coaches, taxa de indicação de 10% no primeiro ano de clientes que repassa, eventos e treinamentos, livros e participação em software e cursos de parceiros |
| Tamanho | 102 mil+ organizações usaram as ferramentas, 290+ coaches certificados ou em certificação, 875 mil+ livros vendidos. Faturamento, equipe e margem não são divulgados |
| Situação societária | Empresa privada ligada a Harnish. Ele é cofundador do Growth Institute. O Scoreboard roda sobre a plataforma da Align Technologies. Percentuais e acordos de receita não são públicos |
Fontes: scalingup.com e coaches.scalingup.com, consultados em outubro de 2026. Todos os indicadores de escala são declarações da empresa, sem auditoria independente.
One-Page Strategic Plan: a estratégia de uma empresa em uma folha
Foi quando Harnish ganhou seu primeiro coach parceiro, John Anderson. O livro Scaling Up só sairia 15 anos depois. A rede de entrega veio antes do best-seller.
Foi quanto subiu o preço de entrada na certificação entre a versão antiga do FAQ (US$ 15 mil) e a página de outubro de 2026 (US$ 35 mil). O coach é um cliente com preço reajustável.
Territórios exclusivos. A Scaling Up não limita geografias e não impõe tabela de preço. É uma rede de licenciados que dispensa as regras de uma franquia.
Fontes: biografia de John Anderson e histórico citados no relatório-base; FAQs atual e antigo de coaches.scalingup.com. As versões antigas das páginas não têm data.
Conexão com o Brasil. Scaling Up tem edição brasileira, com o subtítulo Escalando seu negócio (ISBN 978-85-8339-483-9), vendida a cerca de R$ 115 na Martins Fontes em outubro de 2026. A ponte com a América Latina passa por Daniel Marcos, mexicano, cofundador do Growth Institute e ex-aluno do programa de CEOs de Harnish. A edição em espanhol saiu como Dominando los Hábitos de Rockefeller 2.0.
Quem construiu, e o que cada um trouxe ao modelo?
Verne Harnish
Origem. Nasceu em 1959 e estudou engenharia mecânica e MBA na Wichita State University, no Kansas. Ainda na faculdade, fundou a Association of Collegiate Entrepreneurs.
Trajetória. Em 1987 fundou a Young Entrepreneurs' Organization, hoje Entrepreneurs' Organization (EO). Criou o Birthing of Giants, programa para jovens CEOs que o MIT passou a sediar em 1991 e que ele conduziu por cerca de 15 anos. Em 1997 fundou a Gazelles, rebatizada de Scaling Up em 2014.
Escala. Autor de Mastering the Rockefeller Habits (2002), Scaling Up (2014, revisado em 2022), Scaling Up Compensation (2022) e Start to Scale (2024). Coautor de The Greatest Business Decisions of All Time, com os editores da Fortune.
Acesso. Antes de ter um método, Harnish tinha uma rede de milhares de donos de empresa e uma sala de aula no MIT com CEOs em crescimento. Os problemas que ele codificou vieram desses clientes, e os primeiros coaches e sócios também.

Daniel Marcos
Trouxe: o canal online e a América Latina. Ex-aluno do Birthing of Giants e coach certificado Scaling Up, levou o método para cursos digitais a partir de 2011–2012.
John Anderson
Trouxe: a prova de que outra pessoa conseguia entregar o método. Trabalhou com Harnish enquanto a Gazelles era montada.
Align Technologies
Trouxe: a plataforma sobre a qual roda o Scaling Up Scoreboard. O teste gratuito leva ao domínio aligntoday.com.
Foto de Daniel Marcos: perfil em coaches.scalingup.com. O ano de fundação do Growth Institute varia entre 2011 e 2012 conforme a fonte.

Verne Harnish
Escreve, atualiza o método e é o rosto dos eventos. Os livros saem a cada dois a quatro anos desde 2012.

Daniel Marcos
Baseado em Austin. Quatro reconhecimentos na Inc. 5000 como CEO, segundo o perfil.

Liat Lazar
Uma das 290+ operadoras da rede. Atende também Grécia, Hong Kong e EUA.
A rede
Cada um com empresa, preço e clientes próprios. É aqui que está a maior parte da operação.
Retratos: coaches.scalingup.com. A Scaling Up não detalha publicamente sua equipe executiva; por isso a liderança aparece pelos papéis no modelo.
Que decisões levaram a empresa até aqui, e o que cada uma produziu?
"Helping companies scale up."Descrição do próprio negócio no site oficial
O começo é uma rede, não uma empresa. Harnish passou os anos 1980 e 1990 reunindo jovens empresários e ouvindo os mesmos problemas: o fundador que não delega, a equipe sem prioridade, o caixa que trava o crescimento. A Gazelles nasceu em 1997 para vender a esses empresários o que ele já ensinava no MIT. A partir daí, cada decisão tirou um pouco do trabalho das mãos dele.
| Quando | Decisão | Resultado |
|---|---|---|
| 1987 | Funda a Young Entrepreneurs' Organization, hoje EO | Rede global de donos de empresa, que vira o público do método |
| 1991 | Leva o Birthing of Giants para o MIT e conduz o programa por ~15 anos | Sala de aula fixa com CEOs em crescimento. Daniel Marcos sai dali |
| 1997 | Funda a Gazelles | Estrutura própria de educação executiva e coaching |
| ~1999 | Aceita John Anderson como primeiro coach parceiro | O método passa a ser entregue por outra pessoa. Nasce a rede |
| 2002 | Publica Mastering the Rockefeller Habits | O método vira produto editorial, traduzido para 9 idiomas |
| 2011–12 | Cofunda o Growth Institute com Daniel Marcos | Canal online. Hoje 50 mil+ alunos e ex-alunos e 100+ especialistas |
| 2014 | Lança Scaling Up e troca o nome da empresa | Marca única para livro, eventos, coaches e software. 26 idiomas |
| 2022 | Revisa Scaling Up e lança Scaling Up Compensation | O mesmo IP ganha nova vida comercial e um tema novo, remuneração |
| 2024 | Lança Start to Scale | Porta de entrada para empresas ainda menores que o cliente típico |
| 2026 | Certificação a US$ 35 mil, Scoreboard Insights a US$ 100 por mês | 290+ coaches, 102 mil+ organizações, 300+ workshops por ano |
Fontes: Wikipedia, SmartCompany, perfis em coaches.scalingup.com e scalingup.com. O ano de 1999 é do histórico citado no relatório-base; a biografia de Anderson no site diz que ele foi o primeiro coach a trabalhar com Harnish enquanto a Gazelles era desenvolvida.
Organizações que usaram as ferramentas, em milhares
Preço de entrada na certificação, em US$ mil
Como o negócio funciona na prática?
Livros e ferramentas
- Scaling Up (26 idiomas)
- Rockefeller Habits
- Start to Scale
- Ferramentas gratuitas
Educação
- Workshops públicos (300+/ano)
- CEO Bootcamp (8 CEOs)
- Master's Program
- Growth Institute (online)
Rede de coaches
- Certificação
- Elite Coaching
- Find a Coach
- 290+ coaches
Software e diagnóstico
- Scoreboard (Align)
- Scaling Up Assessment
- A-Players Assessment
- Cash Flow Story
Especialista
Um consultor independente, muitas vezes ex-executivo. Faz a certificação em 4 a 6 meses, com curso online e seis chamadas em grupo com treinadores certificados, e entra na plataforma privada da rede.
O que o cliente compra
- Workshops avulsos de um dia
- Contrato anual, com 12 meses iniciais
- Planejamento externo de 2 dias, três sessões trimestrais de 1 dia
- Chamada semanal ou quinzenal com o CEO
- Conta própria no Scoreboard
Quem opera
O próprio coach, com marca pessoal endossada pela Scaling Up. Define o preço pelo valor gerado à empresa, não por hora. Clientes que chegam pela Scaling Up pagam a ela 10% do primeiro ano; os que o coach traz, nada.
Fontes: FAQs "Find a Coach" e "Become a Coach" e blog de certificação em coaches.scalingup.com, outubro de 2026.
Ferramentas
Mini-curso de 1 hora, planos de uma página, avaliação online
Livro
Scaling Up: o método inteiro, por escrito
Software
Scoreboard Insights, teste de 7 dias
Evento
CEO Summit em Harvard. Workshops têm preço próprio
Coach
Contrato anual de implementação, renovável
Virar coach
O topo da escada é outro cliente: o profissional
Conta ilustrativa, ordem de grandeza. Usa só os preços públicos e a contagem de 290+ coaches, que inclui quem ainda está em certificação. Não considera descontos, cancelamentos, impostos nem custos. A receita real não é publicada.
O que é do centro (Scaling Up)
- O método, os livros e a atualização da metodologia
- A marca e o rosto de Harnish
- Certificação, treinadores e plataforma privada dos coaches
- Eventos globais, workshops e geração de demanda
- Parcerias de software e educação online
O que é de cada coach
- A própria empresa e o risco comercial
- O preço e o formato do contrato
- A prospecção local e o relacionamento com o CEO
- A execução de cada sessão e o resultado do cliente
- A geografia, sem exclusividade
Decodificando o modelo
O consultor-autor vende horas. Horas não escalam.
Um especialista em gestão que atende empresas pessoalmente tem teto: cerca de 200 dias úteis por ano, e um preço por dia que o mercado só aceita subir até certo ponto. Contratar consultores para atender no lugar dele cria outro problema: folha de pagamento, treinamento e o risco de cada um aplicar o método do seu jeito. Harnish resolveu os dois de uma vez. Os consultores não são funcionários, são clientes. Eles pagam pelo método e assumem o risco de vendê-lo.
Antes · consultor-autor
Receita = dias do fundador × preço do dia
- Teto físico de agenda
- Toda entrega depende da presença dele
- Contratar consultor aumenta custo fixo
- Cada projeto termina quando o fundador sai
Depois · Scaling Up
Receita = coaches × anuidade + eventos + livros + software
- Agenda do fundador vira palco e escrita
- Entrega feita por 290+ profissionais
- O coach paga para entrar e assume o risco comercial
- O plano trimestral mantém o cliente ativo
O que isso revela: a Scaling Up inverteu o sentido do dinheiro na relação com quem entrega. Numa consultoria, a empresa paga o consultor. Aqui, o consultor paga a empresa, e cada coach novo aumenta a receita do centro em vez de aumentar sua folha.
Uma ferramenta, um coach e um ritmo trimestral.
A peça que se repete em todos os países é a mesma: um coach certificado senta com a equipe de liderança de uma empresa, preenche o One-Page Strategic Plan em dois dias e volta a cada trimestre para revisar. Entre uma sessão e outra, o CEO tem chamadas semanais e a equipe acompanha os números no Scoreboard. Uma unidade é um cliente rodando esse ciclo.
A ferramenta é o que torna o método transferível. Um plano de uma página com campos fixos pode ser conduzido por um coach em Tel Aviv e outro em Monterrey na mesma ordem. Sem esse formato, a rede seria só um grupo de consultores que leram o mesmo livro.
Três papéis: quem escreve, quem certifica, quem entrega.
O autor
Harnish escreve, revisa o método a cada poucos anos e aparece nos eventos de topo. Seu tempo vai para o que alimenta todos os coaches ao mesmo tempo: livros, palcos e conteúdo.
O centro
Treinadores certificados conduzem as seis chamadas de formação. A equipe central mantém a plataforma privada, organiza cúpulas globais, kits de marketing e o encaminhamento de clientes.
Os coaches
290+ profissionais que vendem, executam e renovam contratos. Ex-executivos de RH, operações e finanças, com empresas próprias.
O teste é barato para a Scaling Up. Um coach que não vende nada pagou a certificação mesmo assim. O risco de cada nova praça é de quem entra, e a rede cresce onde houver profissionais dispostos a apostar nela.
O empresário chega ao coach já falando a língua do método.
Há quatro portas, e nenhuma ordem obrigatória. O CEO lê o livro, faz uma avaliação gratuita, vai a um workshop ou testa o Scoreboard. Em qualquer uma delas, aprende os termos: prioridades do trimestre, números críticos, ritmo de reuniões. Quando procura ajuda para implementar, a Scaling Up faz uma triagem de 15 minutos e apresenta um coach. Se o contrato sai, o centro recebe 10% do primeiro ano.
O que isso revela: o livro é o vendedor mais barato da rede. Ele é pago pelo leitor, chega a 26 idiomas e prepara o CEO para comprar um serviço que nenhum funcionário da Scaling Up precisou vender.
Três relações econômicas e uma assinatura.
O coach compra acesso ao método completo, à marca, à formação contínua e à comunidade. A anuidade é cobrada por trimestre.
O coach vende e executa seus contratos. A Scaling Up não impõe tabela nem cobra royalty sobre o que ele fatura com clientes próprios.
Quando o centro encaminha o cliente, recebe uma taxa de indicação sobre o primeiro ano do contrato.
Por cima das três, o Scoreboard. Cada empresa atendida precisa de conta própria: US$ 100 por mês no plano Insights, com 20 usuários, e US$ 5 por usuário extra. O coach usa o software na prática, mas quem paga é o cliente. A plataforma roda sobre a Align Technologies, e a divisão dessa receita não é pública.
Para o coach, a conta também fecha em recorrência. A anuidade equivale a cerca de US$ 1.375 por mês, um custo fixo que ele precisa cobrir com os próprios contratos. Cada cliente que renova o contrato anual paga esse custo de novo sem exigir uma venda nova.
O que isso revela: a Scaling Up cobra de quem entrega, não de quem recebe. O centro fica com uma receita previsível, ligada ao número de coaches, e deixa a receita variável, ligada ao número de clientes, para a rede. É a mesma divisão de uma franquia, sem as amarras de território e preço.
O cliente satisfeito vira coach, e o coach vira canal.
A rede se renova a partir dos próprios clientes. John Anderson foi aluno de Harnish antes de virar o primeiro coach. Daniel Marcos passou pelo Birthing of Giants antes de cofundar o Growth Institute e se certificar. Liat Lazar recebeu o livro de um CEO que ela já atendia. O topo da escada de produtos não é um serviço mais caro para empresas: é a certificação para quem quer vender o método.
Cada coach novo leva o método a mercados onde a Scaling Up não tem estrutura, traz clientes que vão precisar de conta no Scoreboard e produz casos de sucesso que reforçam a marca. O centro só precisa formar, atualizar e manter a comunidade.
Camadas empilhadas, com retorno ao começo.
A prova
iTalent: a meta de 12 meses batida em 6, sem Verne Harnish na sala.
Liat Lazar
Executiva de RH em startups e em duas empresas da Fortune 500 antes de abrir a própria prática. Um CEO que ela já atendia lhe entregou o livro Scaling Up. Ela se certificou durante a pandemia, num programa totalmente online, e hoje atende Israel, Grécia, Hong Kong e Estados Unidos.
Em fevereiro de 2021 começou a trabalhar com a iTalent, empresa de recrutamento comandada por Dana Bash, CEO do iTalent Group. A meta combinada era dobrar a receita em 12 meses.
O modelo inteiro numa só história: o livro recrutou a coach, a certificação a preparou, e o método foi entregue por ela a um cliente que nunca precisou encontrar o autor.
Um CEO cliente entrega Scaling Up a Lazar, então coach e ex-executiva de RH.
Ela paga a certificação e entra na rede durante a pandemia.
Começa na iTalent com a meta de dobrar a receita em um ano.
Fortalece a equipe de liderança, alinha metas, aumenta a transparência e instala uma rotina de indicadores.
A empresa atinge a meta. A CEO diz que a coach "conecta estratégia e tática".
O caso vira conteúdo no blog oficial da rede, assinado pela Scaling Up.
Fonte: estudo de caso publicado em coaches.scalingup.com, por Anna Broome. Resultado relatado pela rede e pela cliente, sem auditoria independente. Retrato: coaches.scalingup.com.
O caso serve a três pessoas ao mesmo tempo. Prova o trabalho de Lazar para os próximos clientes dela, prova o método para leitores que ainda não contrataram ninguém e prova a certificação para quem pensa em virar coach. Uma única entrega bem-sucedida alimenta as três pontas do modelo.
Seis regras que aparecem em todas as decisões.
Transforme o método em formulário
Um conceito precisa de quem o explique. Um plano de uma página com campos fixos pode ser conduzido por qualquer profissional treinado.
Cobre de quem entrega
O coach paga entrada e anuidade. O centro tem receita previsível e o risco de vender fica com a rede.
Abra a rede antes do best-seller
O primeiro coach chegou em ~1999, o livro principal em 2014. A estrutura de entrega estava pronta quando a demanda veio.
Dispense território e tabela
Sem exclusividade e sem preço fixo, a rede cresce onde houver gente disposta, sem o custo de administrar uma franquia.
Faça o método virar rotina
Planos trimestrais e um software diário mantêm o cliente dentro do sistema depois do primeiro projeto.
Recrute na própria base
Alunos e clientes viram coaches e sócios. A rede se renova a partir de quem já comprou o método.
O coach ganharia um assistente, e a rede desceria de porte.
A Scaling Up já vende um Scoreboard com recursos de IA. Uma versão criada hoje iria além. Agentes preencheriam o primeiro rascunho do plano de uma página a partir dos números da empresa, preparariam a pauta de cada reunião trimestral e acompanhariam as prioridades entre uma sessão e outra. O coach passaria a atender mais empresas ao mesmo tempo, e o piso de US$ 3 milhões de faturamento cairia, abrindo o mercado de Start to Scale. A certificação ensinaria a supervisionar esse sistema. O que não mudaria é o papel humano no centro da sessão: cobrar a equipe de liderança pelo que ela prometeu no trimestre anterior.
O case no framework EMPIRE
Expert Business Architecture
Um Expert Business é uma empresa cujo ativo central é conhecimento especializado: consultoria, mentoria, educação, advisory. A Expert Business Architecture lê esse tipo de empresa como cinco transformações em ciclo, cada uma convertendo um ativo no seguinte. Um motor transversal faz os cinco sistemas funcionarem.
Onde a Scaling Up é mais forte, e onde está o gargalo.
Reputação
Expertise → ConfiançaQuatro décadas de rede com empresários, 15 anos de MIT, 875 mil+ livros em 26 idiomas, a fundação da EO no currículo e casos publicados pelos coaches.
A autoridade ainda se concentra em Harnish. Os coaches emprestam a marca dele, e a sucessão dessa reputação não está desenhada publicamente.
Distribuição
Confiança → DemandaLivros pagos pelo leitor, 300+ workshops por ano, ferramentas gratuitas, teste do software e 290+ coaches prospectando em seus mercados.
Não há dado público sobre qual canal gera clientes de forma lucrativa. A demanda local depende da capacidade comercial de cada coach.
Monetização
Demanda → ReceitaCobra de quem entrega: US$ 35 mil de entrada, US$ 16,5 mil por ano, 10% dos clientes repassados, mais eventos, livros e participação em software.
A maior receita da cadeia, o contrato com a empresa cliente, fica com o coach. Cursos e software geram receita em entidades parceiras, com divisão não divulgada.
Transformação
Promessa → Resultado + ExperiênciaUm método padronizado, ferramentas de uma página, ritmo de reuniões, revisões trimestrais e software que acompanha os indicadores todos os dias.
O resultado depende de 290+ profissionais com origens e competências diferentes. A Scaling Up controla o método, mas não a sala. Não há indicador público de resultado dos clientes além dos casos que a própria rede escolhe divulgar.
Multiplicação
Resultado → Ativos + Novas oportunidadesA assinatura do caso. O método é usado por centenas de profissionais que pagam por ele, em mercados onde a empresa não tem estrutura. Clientes viram coaches, cada caso vira prova e cada implementação pode abrir uma conta de software.
Cada coach novo exige seleção, formação e suporte. Crescer a rede mais rápido do que a capacidade de formar compromete a qualidade da entrega.
O ciclo fechado
Multiplicação → ReputaçãoCada implementação gera um caso, como o da iTalent, que vira conteúdo e reforça a autoridade do método. Livros revisados renovam o mesmo IP a cada poucos anos.
Uma implementação ruim também circula com a marca Scaling Up. A reputação de todos depende da média da rede, não do melhor coach.
Motor transversal
Pessoas + Cultura + IP + TecnologiaUm autor, uma equipe central enxuta, treinadores certificados e 290+ coaches que não são funcionários.
Linguagem comum: prioridades do trimestre, números críticos, ritmo de reuniões. A comunidade e as cúpulas mantêm a rede alinhada.
O ativo central. As 4 Decisões, o One-Page Strategic Plan, os Rockefeller Habits e o Power of One, protegidos por marca e atualizados por livros.
Scoreboard sobre a plataforma da Align, plataforma privada dos coaches e cursos online do Growth Institute.
Ferramentas de uma página são fáceis de copiar. O que protege o IP é a comunidade certificada e a marca, e não o formulário em si.
O que o caso ensina
Sistema levado ao limite. Multiplicação. A Scaling Up provou que um método de gestão pode ser entregue por centenas de profissionais independentes, em dezenas de países, sem que o autor esteja presente, e que esses profissionais aceitam pagar entrada e anuidade pelo direito de fazê-lo.
Onde está o limite. Na Transformação. O centro controla o método, a ferramenta e a formação, mas o resultado acontece na sala de cada coach. Quanto maior a rede, mais o valor da marca depende da qualidade média de quem a representa.
A lição de arquitetura. Expertise vendida pelo próprio especialista tem o teto da agenda dele. Codificada em ferramentas e licenciada a uma rede que paga para entregá-la, a mesma expertise passa a gerar receita quando alguém a aprende, quando alguém se certifica, quando uma empresa a implementa e quando uma equipe a usa todos os dias.
A pergunta deixa de ser quantos clientes o especialista consegue atender. Passa a ser quantos especialistas conseguem atender com o método dele.

Harnish é antes um construtor de redes do que um consultor. Fundou uma associação de estudantes, depois uma organização de empresários, depois um programa para CEOs. A Scaling Up é a quarta rede, e a primeira em que os membros pagam para entregar o conteúdo dele.